NICOLAU MAQUIAVEL (1469-1527)
Contexto histórico: Início
da Idade Moderna.
Itália
– século XVI para XVII: Dividida, fragmentada entre feudos e principados. Não
havia um poder central. Cada feudo tinha suas próprias leis, sua própria moeda,
seu próprio exército.
Outros
países já se consolidavam como Estado nação, unificados (Portugal, França,
Espanha, Inglaterra).
Formação
de exércitos nacionais, centralização do poder político;
Passagem
do Feudalismo para o capitalismo comercial.
Nicolau Maquiavel: Escreveu
O Príncipe em 1513. Defendia um Estado forte e unificado.
Procurou ensinar como um governante deve governar.
Principais ideias:
- Objetivo geral: como manter o poder;
- Estudar a política como é e não como deveria
ser. (política ideal ≠ política real)
- Estudo da história – cíclica: repete-se em linhas gerais. (ciclos de estabilidade
e ciclos de conflito)
- Evitar erros de governantes anteriores e repetir
seus acertos – perpetuar estabilidade reduzir conflitos
- Não existe poder sem um Estado nacional forte.
- “Os fins justificam os meios” Política ≠ ética.
- O homem age com competição, rivalidade, inveja e
perseguição. (natureza má)
Fortuna: sorte
Virtù: sabedoria, capacidade
- A fortuna é inútil sem a
virtù.
- Para Maquiavel, virtù não é
igual a conduta justa. As metas adequadas a um príncipe são glória e fama.
- Para isso é impossível ter um
comportamento sempre de acordo com preceitos abstratos de justiça.
- A virtù do homem político é diferente da virtù do
homem comum.
Tipos
de crueldades:
- Bem praticadas: São as que se cometem todas ao mesmo tempo, no
início do reinado. Parecem menos amargas, ofendem menos.
- Mal praticadas: São as que se renovam, e, pouco numerosas no
princípio, se multiplicam com o tempo. Os súditos perdem o sentido de
segurança.
- Entre ser temido e ser amado, é mais SEGURO ser temido
- Os homens são ingratos. O vínculo do amor rompe-se ao sabor do próprio
interesse, enquanto o temor se conserva por um medo do castigo, que jamais os
abandona.
- O Estado deve ser laico – Lógica secular da
política.
Trechos
de O
Príncipe
“(...) ao apoderar-se de um Estado, o conquistador
tem de determinar as ofensas, que precisa executar, e fazê-las todas de uma vez
para não ter que repeti-las todos os dias. Assim, poderá incutir confiança nos
homens e conquistar-lhes o apoio com benefícios. Quem procede de outro modo,
por timidez ou por força de conselhos maus, precisa sempre estar com a faca na
mão e jamais poderá confiar em seus súditos, pois estes, de seu turno, não
podem fiar-se nele, devido a suas recentes e contínuas ofensas. As ofensas devem-se fazer todas de uma vez, a fim de
que, tomando-se-lhes menos o gosto ofendam menos. E os benefícios precisam ser
realizados pouco a pouco, para serem mais bem saboreados.”
“Deveis saber, assim, que duas formas há de
combater: uma, pelas leis, outra pela força. A primeira é natural do homem; a
segunda, dos animais. Sendo, porém, a primeira muitas vezes insuficiente, é
necessário recorrer à
segunda.”
“Trate, portanto um príncipe de vencer e conservar o
Estado. Os meios que empregar serão sempre julgados honrosos e louvados por
todos, pois o vulgo se deixa levar por aparências e pelas consequências dos
fatos consumados, e o mundo é formado pelo vulgo, e não haverá lugar para a
minoria se a maioria não encontre onde se apoiar.”
“Daí se origina
esta questão discutida: se melhor
é ser amado que temido, e vice-versa. Responder-se-á que se queria ser uma e
outra coisa; como, entretanto, é difícil reunir ao mesmo tempo as qualidades
que levam àqueles resultados, muito mais seguro é ser temido que amado, quando
seja obrigado a falhar numa das duas. Porque os homens são em geral ingratos,
volúveis, dissimulados, covardes e ambiciosos de dinheiro, e, enquanto lhes
fizeres benefícios, estão todos contigo, oferecem-te sangue, bens, vida,
filhos, como antes disse, desde que estejas longe de necessitares de tudo isto.
Quando, porém, a necessidade se aproxima, voltam-se para outra parte. E o
príncipe, se apenas confiou inteiramente em palavras e não tomou outras precauções, está arruinado. Porque
as amizades que se conseguem por interesse e não por nobreza ou grandeza de
caráter, são compradas, não se podendo contar com as mesmas no momento preciso.
E os homens hesitam menos em ofender aos que se fazem amar, do que àqueles que
se tornam temidos, por ser o amor conservado por laço de obrigação, o qual é
rompido por serem os homens pérfidos sempre que lhes aprouver, enquanto o medo
que se infunde é alimentado pelo temor do castigo, que é sentimento que jamais
se deixa. Deve, pois, o príncipe fazer-se temido de modo que, se não for amado,
ao menos evite o ódio, pois fácil é ser ao mesmo tempo temido e não odiado, o
que acontecerá desde que se abstenha de se apossar dos bens e mulheres de seus
cidadãos e súditos, e, ainda que
obrigado a verter
o sangue de alguém, só poderá fazê-lo havendo justificativa e causa
manifesta. Deve, principalmente, abster-se de aproveitar os bens alheios, pois
os homens olvidam mais rapidamente a
morte do pai
do que a
perda do seu patrimônio.”
http://www.fae.edu/pdf/biblioteca/O%20Principe.pdf
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THOMAS
HOBBES (1588-1679)
Contexto histórico:
século XVII – Apogeu do absolutismo e surgimento de ideias liberais (Negação da
intervenção estatal na economia e defesa das liberdades individuais)
Hobbes: Escreveu
Leviatã. Também
defendia o absolutismo
político.
Principais ideias:
- Hipótese => Estado
de Natureza: sociedade sem
Estado político – indivíduos 100% livres, “cada um por si”: Estado de caos,
violência – “guerra de todos contra todos”. - “Bellum omnia omnes”
Não haveriam leis. O homem seguiria apenas sua
vontade;
Não havendo leis, não haveriam crimes;
Todos os homens são iguais, livres e têm os mesmos
direitos sobre todas as coisas;
|
Condições para fazerem um pacto social e sair do
estado de natureza.
|
Ser humano => - mau por natureza
-
dotado de razão e paixões
Paixões: medo da violência, da agressividade e da
morte.
Razão: “cálculo”, criação do contrato (Contratualismo). Os homens cedem toda a sua liberdade para um
homem ou uma assembleia de homens e este (s) terá (ão) autoridade absoluta para
governar e garantir segurança e paz para todos.
Os homens se comprometeriam a respeitar normas que
garantissem sua vida mais tranquila.
Estado: Resultado do pacto social – passagem do
estado natural para o estado artificial, político. Deve ser forte e absolutista para garantir a
segurança. => Leviatã.
O Leviatã é como Hobbes chama o Estado. É o nome de
um monstro encontrado em algumas passagens da Bíblia:
“Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoaram
os dias, aqueles que são hábeis para evocar Leviatã!” (Jó 3, 8)
“Poderás tu fisgar Leviatã com um anzol,
e amarrar-lhe a língua com uma corda?” (Jó 40, 20)
“Quebrastes as cabeças do Leviatã, e as
destes como pasto aos monstros do mar.” (Salmos 73, 14)
“Nele navegam as naus e o Leviatã que
criastes para brincar nas ondas.” (Salmos 103, 26)
“Naquele dia o Senhor ferirá, com sua
espada pesada, grande e forte, Leviatã, o dragão fugaz, Leviatã, o dragão
tortuoso; e matará o monstro que está no mar.” (Isaías 27, 1)
TRECHOS
DE LEVIATÃ
Capítulo XIII
Da condição natural da
humanidade relativamente à sua felicidade e miséria
“(...) Se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo em que é impossível
ela ser gozada por ambos, eles tornam-se inimigos. E no caminho para seu fim
(que é principalmente sua própria conservação, e às vezes apenas seu deleite)
esforçam-se por se destruir ou subjugar um ao outro. E disso se segue que,
quando um invasor nada mais tem a recear do que o poder de um único outro
homem, se alguém planta, semeia, constrói ou possui um lugar conveniente, é
provavelmente de esperar que outros venham preparados com forças conjugadas,
para desapossá-lo e privá-lo, não apenas do fruto de seu trabalho, mas também
de sua vida e de sua liberdade. Por sua vez, o invasor ficará no mesmo perigo
em relação aos outros.
E contra esta desconfiança de uns em relação aos outros, nenhuma maneira
de se garantir é tão razoável como a antecipação; isto é, pela força ou pela
astúcia, subjugar as pessoas de todos os homens que puder, durante o tempo
necessário para chegar ao momento em que não veja qualquer outro poder
suficientemente grande para ameaçá-lo. E isto não é mais do que sua própria
conservação exige, conforme é geralmente admitido. (...)
Por outro lado, os homens não tiram prazer algum da companhia uns dos
outros (e sim, um enorme desprazer), quando não existe um poder capaz de manter
a todos em respeito. Porque cada um pretende que seu companheiro lhe atribua o
mesmo valor que ele se atribui a si próprio e, na presença de todos os sinais
de desprezo ou de subestimação, naturalmente se esforça, na medida em que tal
se atreva (...), por arrancar de seus contendores a atribuição de maior valor,
causando-lhes dano, e dos outros também,”
“(...) Portanto tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, o mesmo é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e sua própria invenção. Numa tal situação não há lugar para a indústria, pois seu fruto é incerto; consequentemente não há cultivo da terra, nem navegação, nem uso das mercadorias que podem ser importadas pelo mar; não há construções confortáveis, nem instrumentos para mover e remover as coisas que precisam de grande força; não há conhecimento da face da Terra, nem cômputo do tempo, nem artes, nem letras; não há sociedade; e o que é pior do que tudo, um constante temor e perigo de morte violenta. E a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta.”
(...)
“Desta guerra de todos os homens contra todos os homens também isto é
conseqüência: que nada pode ser injusto. As noções de bem e de mal, de justiça
e injustiça, não podem aí ter lugar. Onde não há poder comum não há lei, e onde
não há lei não há injustiça. Na guerra, a força e a fraude são duas virtudes
cardeais. A justiça e a injustiça não fazem parte das faculdades do corpo ou do
espírito. Se assim fosse, poderiam existir num homem que estivesse sozinho no
mundo, do mesmo modo que seus sentidos e paixões. São qualidades que pertencem
aos homens em sociedade, não na solidão.”
Capítulo XVII
Das causas, geração e
definição de um Estado
(...) O fim último, causa final e desígnio dos homens (que amam
naturalmente a liberdade e o domínio sobre os outros), ao introduzir aquela
restrição sobre si mesmos sob a qual os vemos viver nos Estados, é o cuidado
com sua própria conservação e com uma vida mais satisfeita. Quer dizer, o
desejo de sair daquela mísera condição de guerra que é a consequência
necessária (conforme se mostrou) das paixões naturais dos homens, quando
não há um poder visível capaz de os manter em respeito, forçando-os, por medo
do castigo, ao cumprimento de seus pactos e àquelas leis de natureza que foram
expostas (...).
“A única maneira de instituir um tal poder comum, capaz de defendê-los
das invasões de estrangeiros e das injúrias uns dos outros, garantindo-lhes
assim uma segurança suficiente para que, mediante seu próprio labor e graças
aos frutos da terra, possam alimentar-se e viver satisfeitos, é conferir toda
sua força e poder a um homem, ou a uma assembleia de homens, que possa reduzir
suas diversas vontades, por pluralidade de votos, a uma só vontade. O que
equivale a dizer: designar um homem ou uma assembleia de homens como
representante de suas pessoas, considerando-se e reconhecendo-se cada um como
autor de todos os atos que aquele que representa sua pessoa praticar ou levar a
praticar, em tudo o que disser respeito à paz
e segurança comuns; todos submetendo assim suas vontades à vontade do
representante, e suas decisões a sua decisão. Isto é mais do que consentimento,
ou concórdia, é uma verdadeira unidade de todos eles, numa só e mesma pessoa,
realizada por um pacto de cada homem com todos os homens, de um modo que é como
se cada homem dissesse a cada homem: Cedo e transfiro meu direito de
governar-me a mim mesmo a este homem, ou a esta assembleia de homens, com a
condição de transferires a ele teu direito, autorizando de maneira semelhante
todas as suas ações. Feito isto, à multidão assim unida numa só pessoa se chama
Estado, em latim civitas.”
http://debatedeaula.webnode.com.br/textos-3°-ano/hobbes-"leviatã"-(trechos)/
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JOHN LOCKE
(1632-1704)
John Locke: Escreveu
Segundo Tratado Sobre o
Governo Civil. Defendia o Liberalismo
político.
Principais ideias:
Estado de Natureza: Não é hipotético e sim, real. Não é estado de
caos, nem medo, e sim, de paz (Ex.: indígenas)
Direitos Naturais: vida, liberdade, propriedade. (JUSNATURALISMO)
A natureza humana não é má.
O ser humano é parcial e passional. “cada um é juiz
em causa própria” – Pode levar ao estado de guerra.
Estado
de guerra: aumento de conflitos devido à
parcialidade do ser humano.
Necessidade do Estado: evitar ou sair do estado de
guerra.
Contrato
social: criação do Estado Político.
Estado: - Intermediar conflitos com imparcialidade e
justiça e neutralidade.
TRECHOS
DE SEGUNDO TRATADO SOBRE O GOVERNO CIVIL
“Para compreender corretamente o poder político e
traçar o curso de sua primeira instituição, é preciso que examinemos a condição
natural dos homens, ou seja, um estado em que eles sejam absolutamente livres
para decidir suas ações, dispor de seus bens e de suas pessoas como bem
entenderem, dentro dos limites do direito natural, sem pedir a autorização de
nenhum outro homem nem depender de sua vontade.”
“Um estado, também, de igualdade, onde a
reciprocidade determina todo o poder e toda a competência, ninguém tendo mais
que os outros; evidentemente, seres criados da mesma espécie e da mesma
condição, que, desde seu nascimento, desfrutam juntos
de todas as vantagens comuns da
natureza e do uso das mesmas faculdades,
devem ainda ser iguais entre si, sem subordinação ou sujeição, a menos que seu senhor
e amo de todos, por alguma declaração manifesta de sua vontade, tivesse
destacado um acima dos outros e lhe houvesse conferido sem equívoco, por uma
designação evidente e clara, os direitos de um amo e de um soberano.”
“Entretanto, ainda que se tratasse de um “estado de
liberdade”, este não é um “estado de permissividade”: o homem desfruta de uma
liberdade total de dispor de si mesmo ou de seus bens, mas não de destruir sua
própria pessoa, nem qualquer criatura que se encontre sob sua posse, salvo se
assim o exigisse um objetivo mais nobre que a sua própria conservação. O
“estado de Natureza” é regido por um direito natural que se impõe a todos, e
com respeito à razão, que é este
direito, toda a humanidade aprende que, sendo todos iguais e independentes,
ninguém deve lesar o outro em sua vida, sua saúde, sua liberdade ou seus bens;
todos os homens são obra de um único Criador todo-poderoso e infinitamente
sábio, todos servindo a um único senhor soberano, enviados ao mundo por sua
ordem e a seu serviço; são portanto sua propriedade, daquele que os fez e que
os destinou a durar segundo sua vontade e de mais ninguém. Dotados de
faculdades similares, dividindo tudo em uma única comunidade da natureza, não
se pode conceber que exista entre nós
uma “hierarquia” que nos autorizaria a nos destruir uns aos outros, como se
tivéssemos sido feitos para servir de instrumento às necessidades uns dos
outros, da mesma maneira que as ordens inferiores da criação são destinadas a
servir de instrumento às nossas.”
“A esta estranha doutrina, ou seja, que no estado de
natureza cada um tem o poder executivo da lei da natureza, espero que seja
objetado o fato de que não é razoável que os homens sejam juízes em causa
própria, pois a auto-estima os tornará parciais em relação a si e a seus
amigos: e por outro lado, que a sua má natureza, a paixão e a vingança os levem
longe demais ao punir os outros; e nesse caso só advirá a confusão e a
desordem; e certamente foi por isso que Deus instituiu o governo para conter a
parcialidade e a violência dos homens. Eu asseguro tranquilamente que o governo
civil é a solução adequada para as inconveniências
do estado de natureza, que devem certamente ser grandes quando os homens podem
ser juízes em causa própria, pois é fácil imaginar que um homem tão injusto a
ponto de lesar o irmão dificilmente será justo para condenar a si mesmo pela
mesma ofensa. Mas eu gostaria que aqueles que
fizeram esta objeção lembrem-se
de que os monarcas absolutos são apenas homens (...)”
“Muitas vezes se pergunta, como uma poderosa
objeção: Há, ou algum dia houve, homens em tal estado
de natureza?
A isto pode bastar responder, no momento, que todos os príncipes e chefes de
governos independentes, em todo o mundo, encontram-se no estado de natureza, e
que assim, sobre a terra, jamais faltou ou jamais faltará uma multidão de
homens nesse estado. Citei todos os governantes de comunidades independentes,
estejam ou não vinculadas a outras. Pois não é toda convenção que põe fim ao
estado de natureza entre os homens, mas
apenas aquela pela qual todos se obrigam juntos e mutuamente a formar uma
comunidade única e constituir um único corpo político; quanto às outras
promessas e convenções, os homens podem fazê-las entre eles sem sair do estado
de natureza. As promessas e os intercâmbios etc., realizados entre dois homens
numa ilha ou entre um suíço e um índio, nas florestas da América, os obriga,
embora eles estejam entre eles em um
perfeito estado de
natureza.”
http://www.xr.pro.br/IF/LOCKE-Segundo_tratado_Sobre_O_Governo.pdf
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JEAN-JACQUES ROUSSEAU (1712-1778)
Nasceu
em Genebra, século XVIII – Apogeu do Iluminismo (racionalismo,
liberalismo, anti-absolutismo, anticlericalismo)
Escreveu O
Contrato Social. Defendia a democracia direta ou participativa
– vontade geral do próprio povo
Principais ideias:
Rejeitava a democracia indireta ou representativa
Precursor do Romantismo: o homem nasce bom, a sociedade o corrompe
Considerava a emoção mais importante do que a razão. A razão torna o
homem artificial
Estado de natureza: Não existia propriedade privada.
Logo, não havia desigualdades sociais. O homem era mais feliz, saudável e
livre. (Bom selvagem. Ex.: indígenas)
A passagem do estado de natureza para o estado
artificial foi prejudicial para o ser humano – institucionalização da
propriedade privada. (falso contrato)
A propriedade privada não faz parte da natureza e
não existia propriedade privada. Não é um direito natural.
Um pacto social é legítimo quando o indivíduo se
integrar à sociedade e participar da sociedade, defendendo os interesses
coletivos.
Pacto da igualdade: o indivíduo resgata sua condição
de ser bondoso.
O povo deve participar da política - democracia direta ou participativa
O povo para se manter soberano, não pode delegar
poderes a representantes (inalienável)
Vontade geral: os indivíduos devem deixar seus interesses
egoístas e olhar para o interesse coletivo.
A única forma de representação legítima é a execução
das leis criadas pelo povo (poder executivo).
TRECHOS
- DO
CONTRATO SOCIAL
“O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra
sob ferros. De tal modo acredita-se o senhor dos outros, que não deixa de ser
mais escravo que eles. Como é feita essa mudança? Ignoro-o. Que é que a torna
legítima? Creio poder resolver esta questão.”
“Se eu considerasse tão-somente a força e o efeito
que dela deriva, diria: Enquanto um povo é constrangido a obedecer e obedece,
faz bem; tão logo ele possa sacudir o jugo e o sacode, faz ainda melhor;
porque, recobrando a liberdade graças ao mesmo direito com o qual lha
arrebataram, ou este lhe serve de base para retomá-la ou não se prestava em
absoluto para subtraí-la. Mas a ordem social é um direito sagrado que serve de
alicerce a todos os outros. Esse direito, todavia, não vem da Natureza; está, pois,
fundamentado sobre convenções.”
Eu imagino os homens chegados ao ponto em que os
obstáculos, prejudiciais à sua conservação no estado natural, os arrastam, por
sua resistência, sobre as forças que podem ser empregadas por cada indivíduo a
fim de se manter em tal estado. Então esse estado primitivo não mais tem
condições de subsistir, e o gênero humano pereceria se não mudasse sua maneira
de ser.
Ora, como é impossível aos homens engendrar novas
forças, mas apenas unir e dirigir as existentes, não lhes resta outro meio,
para se conservarem, senão formando, por agregação, uma soma de forças que possa
arrastá-los sobre a resistência, pô-los em movimento por um único móbil e
fazê-los agir de comum acordo.
Essa soma de forças só pode nascer do concurso de
diversos; contudo, sendo a força e a liberdade de cada homem os primeiros
instrumentos de sua conservação, como as empregará ele, sem se prejudicar, sem
negligenciar os cuidados que se deve? Esta dificuldade, reconduzida ao meu
assunto, pode ser enunciada nos seguintes termos.
“Encontrar uma forma de associação que defenda e
proteja de toda a força comum a pessoa e os bens de cada associado, e pela
qual, cada um, unindo-se a todos, não obedeça portanto senão a si mesmo, e permaneça
tão livre como anteriormente.” Tal é o problema fundamental cuja solução é dada
pelo contrato social.
“Cada um de nós põe em comum sua pessoa e toda a sua
autoridade, sob o supremo comando da vontade geral, e recebemos em conjunto
cada membro como parte indivisível do todo.”
“A passagem do estado natural ao estado civil
produziu no homem uma mudança considerável, substituindo em sua conduta a
justiça ao instinto, e imprimindo às suas ações a moralidade que anteriormente
lhes faltava. Foi somente então que a voz do dever, sucedendo ao impulso
físico, e o direito ao apetite, fizeram com que o homem, que até esse momento
só tinha olhado para si mesmo, se visse forçado a agir por outros princípios e
consultar a razão antes de ouvir seus pendores. Embora se prive, nesse estado,
de diversas vantagens recebidas da Natureza, ganha outras tão grandes, suas faculdades
se exercitam e desenvolvem, suas idéias se estendem, seus sentimentos se
enobrecem, toda a sua alma se eleva a tal ponto, que, se os abusos desta nova
condição, não o degradassem com frequência a uma condição inferior àquela de
que saiu, deveria abençoar incessantemente o ditoso momento em que foi dali
desarraigado para sempre, o qual transformou um animal estúpido e limitado num
ser inteligente, num homem.”
“Reduzamos todo este balanço a termos fáceis de
comparar. O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um
direito ilimitado a tudo que o tenta e pode alcançar; o que ganha é a liberdade
civil e a propriedade de tudo o que possui. Para que não haja engano em suas
compensações, é necessário distinguir a liberdade natural, limitada pelas
forças do indivíduo, da liberdade civil que é limitada pela liberdade geral, e
a posse, que não é senão o efeito da força ou do direito do primeiro ocupante,
da propriedade, que só pode ser baseada num título positivo.”
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv00014a.pdf
TRECHOS - DISCURSO
SOBRE A ORIGEM DA DESIGUALDADE ENTRE OS HOMENS
“Acostumados desde a infância às intempéries do ar e
ao rigor das estações, exercitados no trabalho e forçados a defender nus e sem
armas a sua vida e a sua presa contra os outros animais ferozes, ou a escapar
da sua perseguição, os homens adquirem um temperamento robusto e quase
inalterável: os filhos, trazendo ao mundo a excelente constituição dos pais e
fortificando-a com os mesmos exercícios que a produziram, adquirem assim todo o
vigor de que a espécie humana é capaz. A natureza faz precisamente com eles o
que a lei de Esparta fazia com os filhos dos cidadãos: torna forte e robustos
os que são bem constituídos e faz morrer todos os outros, divergindo nisso das
nossas sociedades, em que o Estado, tornando os filhos onerosos aos pais, os
mata indistintamente antes do nascimento.”
“Com tão poucas fontes de males, o homem no estado
de natureza não tem, pois, necessidade de remédios, e ainda menos de médicos; a
espécie humana, a esse respeito, não está em piores condições do que todas as
outras, e é fácil saber dos caçadores se nas suas caçadas encontram muitos
animais enfermos.”
“Pergunto qual, a vida civil ou a natural, está mais
sujeita a se tornar insuportável para os que a gozam. Em torno de nós, quase
que só vemos pessoas que se lastimam de sua existência, e muitas mesmo que se
privam dela tanto quanto o podem; e a reunião das leis divina e humana mal
basta para deter essa desordem. Pergunto se jamais se ouviu dizer que um
selvagem em liberdade tenha somente pensado em se lastimar da vida e em se
suicidar. Que se julgue, pois, com menos orgulho, de que lado está a verdadeira
miséria.”
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2284