quarta-feira, 20 de maio de 2015

2º BIMESTRE – 1º ANO

 SOCIOLOGIA CLÁSSICA

 KARL MARX (1818-1883)

 Principais Obras:

 - A ideologia alemã (1846)
 - Manifesto do partido comunista (1848)
 - O Capital: crítica da economia política (1867)
 - Manuscritos econômico-filosóficos (1844)

Contexto Social

- Conflitos - ideias e instituições.
- Revoltas antimonárquicas de 1848 - Itália, na França, na Alemanha e na Áustria . 
- Comuna de Paris.
- Desenvolvimento industrial.

"Socialismo utópico":

Robert Owen (1771 - 1858).
Charles Fourier (1772 - 1837).
Pierre-Joseph Proudhon (1809 -1865).

Principal influência: Hegel

Dialética: Método de pensar a realidade e suas transformações a partir dos opostos. Princípio de que tudo gera o seu contrário e é gerado por ele. Ex.: O feio existe porque existe o bonito e vice-versa.

Uma tese inicial contradiz-se e é ultrapassada por sua antítese. Essa antítese, que conserva elementos da tese, é superada pela síntese, que combina elementos das duas primeiras, num progressivo enriquecimento.
Para Hegel, a dialética ocorre no âmbito das ideias (idealismo) e se realiza posteriormente no mundo material, concreto.


A dialética ocorre em três momentos:

- Tese – Afirmação.
- Antítese – Negação da afirmação / oposto.
- Síntese – Resultado.

Marx: Aproveitou a dialética hegeliana, rejeitando seu idealismo e aplicando o materialismo (a primeira realidade é a matéria) As relações dialéticas ocorrem primeiro no mundo material e resultam nas ideias.

Materialismo → o homem produz o seu sustento material. Para sobreviver, é necessário satisfazer suas necessidades materiais: comer, beber, vestir, morar, etc.
As ideias são resultados de como o homem produz.

MATERIALISMO DIALÉTICO: o materialismo dialético analisa a sociedade de acordo como os homens produzem seu sustento material e suas contradições (classes sociais).
No decorrer da história, o homem desenvolveu várias maneiras de produzir.
MODOS DE PRODUÇÃO: os modos de produção acompanham a história, cujo maior período foi dominado por modos de produção em que existem classes sociais.
As classes são definidas de acordo com acordo com a posição que o indivíduo ocupa no processo de produção:
Proprietário dos meios de produção: classe dominante
Não proprietário dos meios de produção: classe dominada.

MODOS DE PRODUÇÃO
PERÍODO HISTÓRICO
MODO DE PRODUÇÃO
CLASSES SOCIAIS
DIALÉTICA
Pré- História
Comunismo Primitivo
--------------------------------------
Sociedade sem classes
TESE
Idade Antiga
Escravo
- Senhores de escravos (dominante)
- Escravos (dominada)
Sociedades com classes
ANTÍTESE
Idade Média
Feudal
- Senhores feudais (dominante)
- Servos (dominada)
Idade Moderna
Capitalista
- Burguesia (dominante)
- Proletariado (dominada)
Idade Contemporânea
Socialista
- Transição -
Sociedades sem classes
SÍNTESE
Idade Contemporânea
Comunista
--------------------------------------


TRECHOS DE A IDEOLOGIA ALEMÃ

As premissas de que partimos não constituem bases arbitrárias, nem dogmas; são antes bases reais de que só é possível abstrair no âmbito da imaginação. As nossas premissas são os indivíduos reais, a sua ação e as suas condições materiais de existência, quer se trate daquelas que encontrou já elaboradas aquando do seu aparecimento quer das que ele próprio criou. Estas bases são portanto verificáveis por vias puramente empíricas.
A primeira condição de toda a história humana é evidentemente a existência de seres humanos vivos.
O primeiro estado real que encontramos é então constituído pela complexidade corporal desses indivíduos e as relações a que ela obriga com o resto da natureza.
(...)
Pode-se referir a consciência, a religião e tudo o que se quiser como distinção entre os homens e os animais; porém, esta distinção só começa a existir quando os homens iniciam a produção dos seus meios de vida, passo em frente que é conseqüência da sua organização corporal. Ao produzirem os seus meios de existência, os homens produzem indiretamente a sua própria vida material.
A forma como os homens produzem esses meios depende em primeiro lugar da natureza, isto e, dos meios de existência já elaborados e que lhes é necessário reproduzir;
(...)
Aquilo que os indivíduos são depende portanto das condições materiais da sua produção. Esta produção só aparece com o aumento da população e pressupõe a existência de relações entre os indivíduos. A forma dessas relações é por sua vez condicionada pela produção.
Contrariamente à filosofia alemã, que desce do céu para a terra, aqui parte-se da terra para atingir o céu. Isto significa que não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam e pensam nem daquilo que são nas palavras, no pensamento na imaginação e na representação de outrem para chegar aos homens em carne e osso; parte-se dos homens, da sua atividade real. É a partir do seu processo de vida real que se representa o desenvolvimento dos reflexos e das repercussões ideológicas deste processo vital. (...) Assim, a moral, a religião, a metafísica e qualquer outra ideologia, tal como as formas de consciência que lhes correspondem, perdem imediatamente toda a aparência de autonomia. Não têm história, não têm desenvolvimento; serão antes os homens que, desenvolvendo a sua produção material e as suas relações materiais, transformam, com esta realidade que lhes é própria, o seu pensamento e os produtos desse pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência.


Manifesto do Partido Comunista
A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta. Nas primeiras épocas históricas, verificamos, quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos, mestres, companheiros, servos; e, em cada uma destas classes, gradações especiais. A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classe. Não fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta às que existiram no passado. Entretanto, a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado.
(...)
A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados. A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias. A burguesia revelou como a brutal manifestação de força na Idade Média, tão admirada pela reação, encontra seu complemento natural na ociosidade mais completa. Foi a primeira a provar o que pode realizar a atividade humana: criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; conduziu expedições que empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas. A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, como isso, todas as relações sociais.
(...)
Todos os movimentos históricos têm sido, até hoje, movimentos de minorias ou em proveito de minorias. O movimento proletário é o movimento independente da imensa maioria em proveito da imensa maioria. O proletariado, a camada inferior da sociedade atual, não pode erguer-se, por-se de pé, sem fazer saltar todos os estratos superpostos que constituem a sociedade oficial. A luta do proletariado contra a burguesia, embora não seja na essência uma luta nacional, reverte-se contudo dessa forma nos primeiros tempos. É natural que o proletariado de cada país deva, antes de tudo, liquidar sua própria burguesia.
(...)
A propriedade pessoal, fruto do trabalho e do mérito! Pretende-se falar da propriedade do pequeno burguês, do pequeno camponês, forma de propriedade anterior à propriedade burguesa? Não precisamos aboli-la, porque o progresso da indústria já a aboliu e continua a aboli-la diariamente. Ou por ventura pretende-se falar da propriedade privada atual, da propriedade burguesa? Mas, o trabalho do proletário, o trabalho assalariado cria propriedade para o proletário? De nenhum modo. Cria o capital, isto é, a propriedade que explora o trabalho assalariado e que só pode aumentar sob a condição de produzir novo trabalho assalariado, a fim de explorá-lo novamente. Em sua forma atual a propriedade se move entre os dois termos antagônicos: capital e trabalho.