2º BIMESTRE – 1º ANO
KARL MARX (1818-1883)
Principais
Obras:
- A ideologia alemã (1846)
- Manifesto do partido comunista (1848)
- O Capital: crítica da economia política (1867)
Contexto Social
- Conflitos - ideias e instituições.
- Revoltas antimonárquicas de 1848 - Itália, na França, na Alemanha e na Áustria .
- Comuna de Paris.
- Desenvolvimento industrial.
"Socialismo utópico":
Robert Owen (1771 - 1858).
Charles Fourier (1772 - 1837).
Pierre-Joseph Proudhon (1809 -1865).
Principal influência: Hegel
Dialética: Método de pensar a realidade e suas transformações a partir dos opostos. Princípio de que tudo gera o seu contrário e é gerado por ele. Ex.: O feio existe porque existe o bonito e vice-versa.
Uma tese inicial contradiz-se e é ultrapassada por sua antítese. Essa antítese, que conserva elementos da tese, é superada pela síntese, que combina elementos das duas primeiras, num progressivo enriquecimento.
Para Hegel, a dialética ocorre no âmbito das ideias (idealismo) e se realiza posteriormente no mundo material, concreto.
A
dialética ocorre em três momentos:
- Tese – Afirmação.
- Antítese – Negação da afirmação /
oposto.
- Síntese – Resultado.
Marx: Aproveitou a dialética hegeliana,
rejeitando seu idealismo e aplicando o materialismo (a primeira
realidade é a matéria) As relações dialéticas ocorrem primeiro no mundo
material e resultam nas ideias.
Materialismo → o
homem produz o seu sustento material. Para sobreviver, é necessário satisfazer
suas necessidades materiais: comer, beber, vestir, morar, etc.
As
ideias são resultados de como o homem produz.
MATERIALISMO DIALÉTICO: o
materialismo dialético analisa a sociedade de acordo como os homens produzem
seu sustento material e suas contradições (classes sociais).
No
decorrer da história, o homem desenvolveu várias maneiras de produzir.
MODOS DE PRODUÇÃO: os
modos de produção acompanham a história, cujo maior período foi dominado por
modos de produção em que existem classes sociais.
As
classes são definidas de acordo com acordo com a posição que o indivíduo ocupa
no processo de produção:
Proprietário
dos meios de produção: classe dominante
Não
proprietário dos meios de produção: classe dominada.
MODOS
DE PRODUÇÃO
PERÍODO
HISTÓRICO
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MODO
DE PRODUÇÃO
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CLASSES
SOCIAIS
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DIALÉTICA
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Pré- História
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Comunismo Primitivo
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Sociedade sem classes
TESE
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Idade Antiga
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Escravo
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- Senhores de escravos (dominante)
- Escravos (dominada)
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Sociedades com classes
ANTÍTESE
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Idade Média
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Feudal
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- Senhores feudais (dominante)
- Servos (dominada)
|
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Idade Moderna
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Capitalista
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- Burguesia (dominante)
- Proletariado (dominada)
|
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Idade Contemporânea
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Socialista
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- Transição -
|
Sociedades sem classes
SÍNTESE
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Idade Contemporânea
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Comunista
|
--------------------------------------
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TRECHOS
DE A IDEOLOGIA ALEMÃ
As premissas de que partimos não constituem bases arbitrárias,
nem dogmas; são antes bases reais de que só é possível abstrair no âmbito da
imaginação. As nossas premissas são os indivíduos reais, a sua ação e as suas
condições materiais de existência, quer se trate daquelas que encontrou já
elaboradas aquando do seu aparecimento quer das que ele próprio criou. Estas
bases são portanto verificáveis por vias puramente empíricas.
A primeira condição de toda a história humana é
evidentemente a existência de seres humanos vivos.
O primeiro estado real que encontramos é então
constituído pela complexidade corporal desses indivíduos e as relações a que
ela obriga com o resto da natureza.
(...)
Pode-se referir a consciência, a religião e tudo o que se
quiser como distinção entre os homens e os animais; porém, esta distinção só
começa a existir quando os homens iniciam a produção dos seus meios de vida,
passo em frente que é conseqüência da sua organização corporal. Ao produzirem
os seus meios de existência, os homens produzem indiretamente a sua própria
vida material.
A forma como os homens produzem esses meios depende em
primeiro lugar da natureza, isto e, dos meios de existência já elaborados e que
lhes é necessário reproduzir;
(...)
Aquilo que os indivíduos são depende portanto das
condições materiais da sua produção. Esta produção só aparece com o aumento da
população e pressupõe a existência de relações entre os indivíduos. A forma
dessas relações é por sua vez condicionada pela produção.
Contrariamente à filosofia alemã, que desce do céu para a
terra, aqui parte-se da terra para atingir o céu. Isto significa que não se
parte daquilo que os homens dizem, imaginam e pensam nem daquilo que são nas
palavras, no pensamento na imaginação e na representação de outrem para chegar
aos homens em carne e osso; parte-se dos homens, da sua atividade real. É a
partir do seu processo de vida real que se representa o desenvolvimento dos
reflexos e das repercussões ideológicas deste processo vital. (...) Assim, a
moral, a religião, a metafísica e qualquer outra ideologia, tal como as formas
de consciência que lhes correspondem, perdem imediatamente toda a aparência de
autonomia. Não têm história, não têm desenvolvimento; serão antes os homens
que, desenvolvendo a sua produção material e as suas relações materiais,
transformam, com esta realidade que lhes é própria, o seu pensamento e os
produtos desse pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas sim a
vida que determina a consciência.
Manifesto
do Partido Comunista
A história de todas as sociedades que existiram até
nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo,
patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa
palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra
ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou
por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição
das duas classes em luta. Nas primeiras épocas históricas, verificamos, quase
por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma
escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios,
cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos, mestres,
companheiros, servos; e, em cada uma destas classes, gradações especiais. A
sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não
aboliu os antagonismos de classe. Não fez senão substituir novas classes, novas
condições de opressão, novas formas de luta às que existiram no passado.
Entretanto, a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter
simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se cada vez mais em
dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a
burguesia e o proletariado.
(...)
A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até
então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do
jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados. A
burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e
reduziu-as a simples relações monetárias. A burguesia revelou como a brutal
manifestação de força na Idade Média, tão admirada pela reação, encontra seu
complemento natural na ociosidade mais completa. Foi a primeira a provar o que
pode realizar a atividade humana: criou maravilhas maiores que as pirâmides do
Egito, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; conduziu expedições que
empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas. A burguesia só pode existir
com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por
conseguinte, as relações de produção e, como isso, todas as relações sociais.
(...)
Todos os movimentos históricos têm sido, até hoje,
movimentos de minorias ou em proveito de minorias. O movimento proletário é o
movimento independente da imensa maioria em proveito da imensa maioria. O
proletariado, a camada inferior da sociedade atual, não pode erguer-se, por-se
de pé, sem fazer saltar todos os estratos superpostos que constituem a
sociedade oficial. A luta do proletariado contra a burguesia, embora não seja
na essência uma luta nacional, reverte-se contudo dessa forma nos primeiros
tempos. É natural que o proletariado de cada país deva, antes de tudo, liquidar
sua própria burguesia.
(...)
A propriedade pessoal, fruto do trabalho e do mérito! Pretende-se
falar da propriedade do pequeno burguês, do pequeno camponês, forma de
propriedade anterior à propriedade burguesa? Não precisamos aboli-la, porque o
progresso da indústria já a aboliu e continua a aboli-la diariamente. Ou por
ventura pretende-se falar da propriedade privada atual, da propriedade
burguesa? Mas, o trabalho do proletário, o trabalho assalariado cria
propriedade para o proletário? De nenhum modo. Cria o capital, isto é, a
propriedade que explora o trabalho assalariado e que só pode aumentar sob a
condição de produzir novo trabalho assalariado, a fim de explorá-lo novamente.
Em sua forma atual a propriedade se move entre os dois termos antagônicos:
capital e trabalho.